Assédio Moral no Trabalho: O Que é, Como Identificar e o Passo a Passo para Provar na Justiça

Assédio Moral no Trabalho: O Que é, Como Identificar e o Passo a Passo para Provar na Justiça

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Acordar com o estômago embrulhado só de pensar em ir para a empresa. Sentir o coração disparar quando o chefe chama seu nome. Chorar no banheiro ou no trajeto de volta para casa. Se você se identifica com essas situações, infelizmente, você pode estar sendo vítima de assédio moral no trabalho.

Muitos trabalhadores brasileiros acreditam que “engolir sapo” faz parte do emprego. Mas existe uma linha muito clara entre a cobrança profissional e a humilhação. A lei brasileira não permite que sua saúde mental seja o preço do seu salário.

Neste guia completo, vamos explicar sem palavras difíceis o que caracteriza o assédio, o que não é assédio e, o mais importante: como reunir provas válidas para proteger seus direitos e garantir sua indenização.

O que é, de fato, o Assédio Moral?

Para a Justiça do Trabalho, não é qualquer cara feia ou discussão pontual que configura assédio. Para ser considerado assédio moral no trabalho, a situação precisa ter três características principais:

  1. Repetição: Não é um evento isolado. É algo que acontece com frequência.
  2. Prolongamento: Acontece ao longo do tempo.
  3. Intencionalidade: O objetivo (consciente ou não) é humilhar, isolar, constranger ou desestabilizar emocionalmente o trabalhador.

Imagine uma “gota d’água” caindo na testa de alguém. Uma gota não machuca. Mas uma gota caindo no mesmo lugar, todos os dias, durante meses, torna-se uma tortura. O assédio moral é essa tortura psicológica, que visa forçar o empregado a pedir demissão.

Exemplos clássicos do dia a dia:

  • Retirar a autonomia: O chefe deixa você sem tarefas, isolado numa mesa, “olhando para a parede” (o chamado “ócio forçado”).
  • Humilhação pública: Gritar ou fazer piadas sobre seu desempenho ou vida pessoal na frente dos colegas.
  • Metas impossíveis: Estabelecer objetivos que ninguém conseguiria cumprir apenas para ter motivo para criticar.
  • Rigor excessivo: Controlar suas idas ao banheiro ou cronometrar cada minuto de pausa de forma desproporcional aos outros.

Cuidado: O que NÃO é Assédio Moral?

Para que você não perca tempo e energia com uma ação que não terá sucesso, é importante saber o que a Justiça não costuma considerar como assédio.

O empregador tem o chamado Poder Diretivo. Isso significa que ele pode cobrar metas, organizar o serviço e chamar a atenção quando há erros, desde que faça isso com respeito.

  • Uma bronca pontual por um erro grave (sem xingamentos) não é assédio.
  • Exigir cumprimento de horário não é assédio.
  • Condições ruins de trabalho (como falta de ar condicionado) podem gerar outros direitos, mas sozinhas não são assédio moral (a menos que seja só na sua sala para te punir).

“Estou sofrendo assédio. Quais são os meus direitos?”

A Constituição Federal defende a dignidade da pessoa humana, e o Código Civil estabelece que quem causa dano a outro deve indenizar. Na prática trabalhista, se você comprovar o assédio, você tem dois direitos principais:

1. Indenização por Danos Morais

É um valor em dinheiro que a empresa deve pagar para compensar a dor, o sofrimento e o abalo psicológico que você sofreu. O valor varia conforme a gravidade da ofensa e o porte da empresa.

2. Rescisão Indireta (A “Justa Causa” no Patrão)

Muitas vítimas pedem demissão porque não aguentam mais, e com isso perdem o direito ao saque do FGTS, multa de 40% e seguro-desemprego. Não faça isso sem orientação!

O Artigo 483 da CLT permite a Rescisão Indireta. É uma forma de sair da empresa recebendo todas as verbas como se tivesse sido demitido sem justa causa. A lei diz que isso é possível quando o empregador pratica “ato lesivo da honra e boa fama” ou exige “serviços superiores às suas forças”.

Assédio moral no trabalho

O Grande Desafio: Como provar o Assédio Moral?

Aqui está o “pulo do gato”. Na Justiça, vale a máxima: “alegar e não provar é o mesmo que não alegar”. Como o assédio costuma acontecer a portas fechadas, reunir provas é difícil, mas fundamental.

Veja o checklist de provas que aceitamos em 2026:

1. A Prova Testemunhal (A Rainha das Provas)

Colegas de trabalho que presenciaram as humilhações são as melhores provas. Podem ser colegas atuais ou ex-funcionários que também sofreram ou viram o que aconteceu.

  • Dica: Tente manter contato com colegas que saíram da empresa; eles costumam ter menos medo de depor.

2. Gravações de Áudio e Vídeo

Muitos clientes perguntam: “Posso gravar meu chefe escondido?”. A resposta é: SIM. A Justiça brasileira aceita como prova lícita a gravação feita por um dos participantes da conversa, mesmo que o outro não saiba. O que você não pode é deixar um gravador na sala e sair (isso seria escuta ambiental ilegal). Mas se você está na conversa, pode gravar pelo celular para se defender.

3. E-mails e Mensagens (WhatsApp)

Prints de conversas no WhatsApp corporativo ou pessoal, e-mails com cobranças abusivas ou com tom desrespeitoso.

  • Atenção: Não apague as mensagens. Se possível, faça uma Ata Notarial em cartório para dar fé pública ao conteúdo, ou utilize aplicativos específicos de coleta de provas digitais.

4. Diário de Bordo

Anote tudo. Compre um caderno e registre: “Dia X, às X horas, o chefe fulano disse a frase Y na frente de Z”. Embora seja uma prova unilateral, ajuda muito a dar coerência ao relato e a lembrar detalhes na hora da audiência.

5. Laudos Médicos e Psicológicos

Se você desenvolveu Burnout, depressão ou ansiedade por causa do trabalho, os laudos médicos, receitas de remédios controlados e atestados são provas do dano que você sofreu. Eles mostram o “nexo causal” (a ligação) entre o trabalho e a doença.

Sua saúde vale mais que qualquer emprego

O assédio moral corrói a autoestima e pode deixar marcas para a vida toda. Não normalize o sofrimento. Se você identificou os sinais descritos neste artigo, comece hoje mesmo a reunir suas provas de forma discreta.

Lembre-se: o medo de perder o emprego não pode ser maior que o direito à sua saúde e dignidade.

Você sente que está vivendo essa situação e não sabe se suas provas são suficientes?

Cada caso é único. Um advogado trabalhista especialista pode analisar suas mensagens, áudios e a situação concreta para dizer se é viável pedir a Rescisão Indireta e a Indenização. Não tome decisões precipitadas (como pedir demissão) antes de uma análise profissional.

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